FAMÍLIA
Família! Família!
Papai, mamãe, titia
Família! Família!
Almoça junto todo dia
Nunca perde essa mania...
Arnaldo Antunes
O uso da linguagem, que permite às relações sociais um alto grau de plasticidade, cria a família. A economia e o movimento responsáveis por esta dinâmica fornecem às relações sociais uma variedade infinita de comportamentos adaptativos e diferentes reações à um mesmo valor circunscrito. A existência da família - que depende da comunicação como princípio - revela uma obra cultural de valor fundante e com características bastante específicas.
Novas dimensões de realidade social e vida psíquica, introduzidos pela família, criam, a cada novo núcleo que se forma, uma nova estrutura. Compostas de hierarquias e órgãos privilegiados de coerção - em cujo campo se fundam as bases da formação moral – a família se institui por modos de organização da autoridade, com leis de transmissão ligadas à dimensão da herança e sucessão.
Sua prevalência na educação – baseadas na repressão e aquisição do arsenal materno-linguístico – faz com que ela seja responsável pelos processos fundamentais do desenvolvimento psíquico. No lugar de ser reduzida a um fato biológico ou um elemento puramente teórico, a família supera os limites da objetividade, nos permitindo operar com a noção radical de causalidade psíquica.
É com base na família que os paradoxos se fundam e a diversidade esbarra nos limites do impossível. A família torna-se uma invenção cuja representação nos atinge e cuja constância se confunde com uma hipótese a ser construída. Sua estabilidade provisória, no entanto, produz efeitos definitivos.
Eliane Martins
Foto da família de Freud - 1876

O fundamental nesse seu artigo é que ele chama atenção para a plasticidade dos modelos familiares. Sua "estabilidade próvisória", como vc bem acentua, o que nos permite pensar a importância da família para a inserção social de cada novo membro da comunidade humana, acolhendo as novas formações dos grupos familiares em suas multiplas configurações. Como pensar a família como organizador social sem cair para o lado da patogenia, sua ausência e presença? Que tipo de pensamento, mais abrangente, pode libertar desta medicalização intensa da sociedade? Desse discurso médico legislador, que invade todos os setores da sociedade?
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