6 de jul. de 2010

O que é que eu faço com ISSO?


- Agora eu já sei de onde vem o meu problema, mas e daí? O que eu faço com isso?

O paciente desafia a transferência com o analista, enquanto interroga o valor de uma recordação vinculada a fatos recentes, aonde a repetição se manifesta na palavra encarnada.

A verdade desde sempre sabida, seja ela fato ou mito, pertence agora um nova tecitura, atrelada ao testemunho do analista, que exige do material exposto a elaboração que lhe é devida.

Recordar, identificar o material reprimido era o método catártico de Breuer, abandonado por Freud frente à resistência que intimida. Se a resistência é sempre do analista, intimidar-se não pode fazer parte do processo, é preciso entender a estrada de mão dupla na qual caminha o método analítico.

Apropriar-se do material exige uma segunda etapa, e a transferência (lugar aonde a repetição se presentifica) é o outro lado da via, que assinala o trânsito e exige o enquadramento da pista. Em Recordar, repetir e elaborar (Volume XII das Obras Completas) Freud nos fala da transição entre a vida real e a fantasia, e nos ensina o valor do tempo para que o movimento aconteça e a análise caminhe.

O que fazer com o material descoberto para quem tem pressa e exige uma saída? Sustentar a transferência, a Freud e à clínica.

Terça-feira, 06 de julho de 2010.