16 de jul. de 2010

Repetição



"As descobertas são máscaras do mais obscuro real"

Carlos Drummond de Andrade

Alguma coisa retorna, faz apelo e insiste. Presa à cadeia significante essa "alguma coisa" sobrevive nos desvios, se alimentando de forças pulsionais que sustentam a junção. Conjunções de palavras e ações determinam quase sempre os destinos, com seus sucessos e fracassos, cegueiras, recusas, impecilhos. O que se repete é sempre a mesma posição. Na singularidade do signo habita uma intrigante determinação, fruto de um acaso marcado desde sempre, retroativamente significado. Como uma ficção.

Coberto por uma falsa aparência, o circuito simbólico se oferece ao jogo de equivocação.
Um peculiar modo de investigação em torno das leis que regem essa cadeia, recolhe as provas da indestrutibilidade criada pelo inconsciente, resgatando dele o sentido e sua equivocação. Não é de outro lugar que provém os efeitos da repetição, senão da pulsão de morte, essa teia de verdades recalcadas que se apresenta no automatismo à repetição.

A repetição sendo simbólica, não pode mais ser pensada como constituída pelo sujeito, mas como o constituindo. Como um elemento que o governa para além de si mesmo, na radicalidade dos traços e suas determinações. Em que medida é possível escapar dessa entorpecedora teia, ou construir outra com os mesmos fios, que desfaça o imobilismo e aprisionamento das ações?

Pintura de Van Gogh