
“Todo passo à frente tem somente a metade do tamanho que parece ter a princípio.”
Johann Nestroy (citado por Freud em Análise Terminável e Interminável.)
Análise é um assunto que consome tempo. Os mais fortes argumentos para encurtá-la têm sido usados, numa tentativa de adaptar seu método às urgências do cotidiano. A fixação de um tempo determinado leva-nos ao problema do seu término, sujeito a inúmeras interrogações. O que é uma análise bem sucedida e o que garante a sua finalização?
A análise, como um estado artificial obrigatoriamente construído, não escapa a algumas generalizações. Supondo regras e leis que tragam ordem ao caos, a simplificação do mundo dos fenômenos cria a impossibilidade de se pensar as variações. Desprezando-se o fato de que os processos são incompletos e as alterações parciais. Como os caminhos que trilhamos sempre, repetindo o que é sempre uma variação, sempre caminhando em outra direção.
Despertar um conflito que não se apresenta, com base na idéia de uma profilaxia, é tão despropositado, nos diz Freud, quanto supor sua definitiva interrupção. A produção artificial dos conflitos de transferência, que despertam os que se acham presentes na imaginação, facilita as mediações entre o externo o interno, colocando-os em contradição. Estamos condenados, no entanto, a falsificar nossa percepção interna e apresentar somente uma representação imperfeita e parcial da questão.
Se é na repetição que o analista toma conhecimento de algumas modalidades de reação, ele nem sempre está autorizado a interpretar, sob o risco de estar lidando com defesas arraigadas e desastrosas resistências. O esgotamento da plasticidade e a incapacidade de modificação dão conta de um campo de uma inércia psíquica de extrema fixidez, cujo ritmo e eficácia desconhecemos de antemão.
O analista, como quem aprende a praticar uma arte específica, também está sujeito a tais variações. Sem deixar de se ter em mente que o processo de amor e busca da verdade não admite imposturas ou falsificações, a análise se apresenta como uma profissão impossível. O nível de normalidade psíquica absoluta como ideal de cura, ao revelar o impossível, garante o trabalho como única possibilidade de finalização.
Fotografia que fiz da calçada de Ipanema, numa tarde de outubro...
Término de análise, sempre in(terminável?),não é fim. A finalidade de uma analise não é um fim.
ResponderExcluirAnálise pode ter térnino? Ou apenas modificação?
Tavez o começo de um trabalho? ... de um outro trabalho? De uma outra forma de trabalhar? De uma outra relação com o trabalho?
Fim soa sempre tão hegeliano. Fim de análise , fim de papo, fim da História...
Talvez o fim de análise seja o fim das "historinhas"... das historinhas que não tem mais fim ... pra fazer uma outra historia.
Pronto, agora chega. Fim do comentário.